No meio da semana de Páscoa, é fácil se distrair entre receitas, conversa de família e lista de compras - e acabar colando no celular uma frase como “claro! por favor, envie o texto que deseja traduzir.”, a mesma que volta como “claro! por favor, envie o texto que deseja traduzir.” quando a gente tenta descobrir o que é, afinal, essencial. Na cozinha, esse lembrete vale muito: simplificar, escolher bem os passos e colocar sabor onde realmente faz diferença. Porque bacalhau de Páscoa no forno não precisa ser pesado nem ficar seco para ter cara de “dia de celebração”.
A melhor parte é que uma assadeira bem montada, o forno no ponto e uma finalização de amêndoas com salsa resolvem quase tudo. O resultado é aquele contraste que fica na memória: lascas macias e úmidas por dentro, crocância por cima e um perfume fresco que equilibra a riqueza do azeite.
A base: suculência sem complicação (e sem bacalhau ressecado)
O deslize mais comum no bacalhau assado é tratá-lo como se precisasse de “tempo extra” para ganhar sabor. Na prática, o bacalhau já tem presença; o que ele pede é proteção: gordura (azeite), umidade (cebola, pimentão, tomate opcional) e cozimento bem regulado.
Se você estiver usando bacalhau já demolhado, pense nele como uma proteína delicada. O forno deve cozinhar e confitar ao mesmo tempo - não castigar. E se a casa estiver cheia e o relógio apertado, este é exatamente o tipo de assadeira que dá certo em etapas.
O que comprar (para 4 pessoas)
- 4 lombos de bacalhau demolhado (ou postas altas)
- 800 g de batatinhas (ou batata em rodelas finas)
- 2 cebolas grandes em meias-luas
- 3 dentes de alho fatiados
- 1 folha de louro
- 1 pimentão vermelho em tiras (opcional, mas traz doçura)
- 150–200 ml de azeite (use um bom)
- 80 g de amêndoas laminadas
- 1 maço pequeno de salsa
- Raspa de 1/2 limão (opcional, mas “acende” o prato)
- Sal (com cautela), pimenta-do-reino
Da assadeira ao forno: um ritmo que não falha
Comece pelas batatas, porque elas são a parte que mais exige tempo. Se forem batatinhas pequenas, podem ir inteiras (ou levemente amassadas no fim); se for batata comum, corte em rodelas finas para cozinhar sem deixar o restante ressecar. Cozinhe em água com sal apenas até começarem a ficar macias - a ideia é terminar no forno, bem envolvidas em azeite.
Enquanto isso, monte a “cama” na assadeira: cebola, alho, louro e pimentão. Regue com uma boa dose de azeite e leve ao forno a 200 ºC por 12–15 minutos, só para amolecer e perfumar. Parece um passo dispensável, mas é ele que transforma o fundo da assadeira num molho natural.
Depois, abaixe para 180 ºC, junte as batatas escorridas, misture bem no azeite e acomode o bacalhau por cima. Finalize com mais um fio de azeite e leve ao forno por cerca de 18–22 minutos, dependendo da altura das postas; procure o ponto em que o bacalhau se solta em lascas com facilidade, mas ainda mantém brilho. E, sejamos honestos: cada forno “conta uma história”, então vale mais seguir o visual do que o minuto exato.
A cobertura de amêndoas e salsa: o “crocante final” que muda tudo
A amêndoa não está ali só para enfeitar. Ela entrega textura, cor e um tostado que faz o prato parecer mais trabalhado do que é. O segredo é não deixar queimar e não colocar a salsa cedo demais, para não perder o verde nem amargar.
Numa frigideira seca, toste as amêndoas laminadas em fogo médio, mexendo sem parar, até dourarem. Desligue, acrescente a salsa bem picada, pimenta-do-reino e, se quiser, um pouco de raspa de limão; o calor residual perfuma sem “cozinhar” a salsa.
Quando o bacalhau sair do forno, espere 3–4 minutos antes de servir. Esse descanso curto ajuda as lascas a continuarem suculentas e dá tempo de espalhar a mistura crocante por cima, como uma neve dourada.
Pequenos ajustes que fazem o prato parecer “de mesa cheia”
A mesma receita pode ficar mais leve ou mais rica com escolhas simples. Se a família gosta de um sabor bem clássico, fique no trio azeite–cebola–alho; se quiser um toque mais atual, o limão e a salsa fazem o prato respirar.
Teste um destes ajustes (um por vez):
- Mais suculento: regue a assadeira com 3–4 colheres de sopa da água do cozimento das batatas antes de voltar ao forno.
- Mais festa: finalize com azeitonas pretas e ovos cozidos em gomos (fora do forno).
- Mais crocante: coloque a amêndoa apenas no prato, na hora, para não perder textura com o vapor.
| Passo-chave | O que fazer | O que resolve |
|---|---|---|
| Pré-forno da cebola | 12–15 min a 200 ºC com azeite | Cria molho e evita cebola crua |
| Cozinhar batata “pela metade” | Só até começar a amaciar | Evita bacalhau seco esperando a batata |
| Tostar amêndoas à parte | Frigideira seca, mexer sempre | Crocância de verdade (não amolece no forno) |
Servir e guardar (sem perder o charme)
Sirva com uma salada simples e mais ácida (alface, rúcula, vinagrete de limão) para equilibrar o azeite. Se sobrar, guarde o bacalhau e as batatas separados da amêndoa com salsa; no dia seguinte, aqueça em forno baixo e só então volte com o crocante por cima.
O prato segue elegante mesmo na “segunda rodada”. E isso, na Páscoa, também vale.
FAQ:
- Posso usar bacalhau congelado já demolhado? Sim. Descongele na geladeira, seque bem com papel-toalha e reduza um pouco o tempo de forno para preservar a suculência.
- Como evito que a amêndoa queime? Fogo médio e atenção total: assim que começar a mudar de cor, tire do calor. A amêndoa vai de “no ponto” a “queimada” em segundos.
- Dá para preparar com antecedência? Dá. Faça a cama de cebola e as batatas, monte a assadeira e deixe na geladeira. Leve ao forno com o bacalhau só perto de servir e prepare a amêndoa no final.
- Que vinho combina melhor? Um branco com boa acidez (Encruzado, Arinto) ou um tinto leve e com poucos taninos; o azeite e a amêndoa pedem frescor, não peso.
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