Episódio 5 de A Knight of the Seven Kingdoms divide fãs ao interromper duelo com longo flashback
O confronto mais aguardado da nova série derivada de Game of Thrones finalmente começa - e, justamente quando as espadas se encontram, a narrativa desacelera: o episódio 5 de A Knight of the Seven Kingdoms corta o clímax do Julgamento dos Sete para inserir um flashback extenso sobre a infância de Ser Duncan no Cortiço (Flea Bottom), em King’s Landing, decisão que provocou reações opostas entre os fãs.
Série ganha tração no universo de Westeros - e testa a paciência no capítulo 5
A Knight of the Seven Kingdoms vem se consolidando como um dos projetos mais comentados da franquia, apostando menos em guerras gigantescas e mais em um recorte íntimo de Westeros, centrado em poucos personagens e conflitos localizados.
Desde a estreia, a produção tem mantido boa recepção, com avaliações em plataformas como o IMDb crescendo semana após semana, impulsionadas por uma combinação de drama de estrada, humor discreto e bastidores da nobreza em um período menos caótico da cronologia do mundo criado por George R. R. Martin.
A expectativa subiu ainda mais no episódio 4: após impedir a brutalidade de Aerion Targaryen contra a artista Tanselle, Ser Duncan é preso e sentenciado ao Julgamento dos Sete - um antigo duelo judicial em que sete campeões de cada lado lutam para que os deuses decidam quem está com a razão. O capítulo termina no instante em que os combatentes se alinham, prontos para a batalha, deixando o público no suspense.
A luta começa, Duncan cai - e a série volta décadas no tempo
O episódio 5 retoma exatamente do ponto em que havia parado: as lanças avançam, o choque acontece, e Duncan vai ao chão. Em seguida, um corte abrupto tira a história do campo de batalha e leva o espectador a um flashback prolongado, mostrando a juventude do protagonista em meio à pobreza e à violência do Cortiço, em King’s Landing.
O resultado é emocionalmente eficiente, mas colocado no momento mais sensível para quem esperava que o duelo prometido fosse entregue sem interrupções.
O showrunner Ira Parker reconheceu que a escolha seria controversa. Em entrevista, ele afirmou que “detesta” recorrer a flashbacks justamente quando a audiência espera a ação, mas sustentou que, dentro da estrutura planejada para a temporada, não viu alternativa melhor. Parker também argumentou que o retorno ao passado dá mais peso ao desfecho do episódio e fortalece a trajetória de Dunk.
O que o flashback acrescenta à trajetória de Ser Duncan
Sob a ótica dramática, o material é consistente. A sequência não aparece nos contos originais de O Cavaleiro Andante, o que indica que a série está expandindo o cânone com liberdade criativa ao detalhar a origem do personagem.
Ao retratar um Duncan criado em condições miseráveis, com poucas perspectivas e cercado por violência, o episódio procura explicar por que ele insiste em valores como lealdade, honra e a defesa dos mais vulneráveis. A construção se apoia em contrastes claros:
- Um menino que apanha, mas não se rende.
- Um jovem sem sobrenome que escolhe viver por princípios.
- Um futuro cavaleiro sem sangue nobre que decide agir como se fosse.
A mensagem central se reforça: Duncan não é “especial” por linhagem, e sim por convicção moral. A força do personagem não vem de títulos, mas da recusa em aceitar que seu lugar no mundo se limite à sarjeta onde cresceu.
O paralelo é direto: no Cortiço e diante do Julgamento dos Sete, ele está cercado, subestimado e, ainda assim, não recua.
A crítica principal mira o timing, não o conteúdo
Mesmo espectadores que enxergam mérito no flashback costumam apontar o mesmo problema: o ritmo. A temporada começou de forma mais lenta e cotidiana, mas acelerou a partir do terceiro episódio com ameaças envolvendo os Targaryen, novas revelações e a preparação do duelo judicial.
Com o episódio 4 terminando no auge da expectativa, muitos esperavam que o capítulo 5 entregasse o combate de forma contínua. Em vez disso, o público passa mais de 20 minutos longe da arena, o que reduz o impacto do confronto quando a narrativa retorna à luta, agora marcada pela interrupção.
As reações entre fãs, em linhas gerais, se dividiram assim:
| Grupo de fãs | Leitura sobre o flashback |
|---|---|
| Entusiastas do recurso | Defendem que o passado de Duncan é essencial para entender suas escolhas e consideram o episódio mais forte no aspecto emocional. |
| Críticos do momento escolhido | Avaliam que a sequência é “fora de hora”, longa demais e responsável por quebrar o embalo construído até o duelo. |
Uma decisão autoral em tempos de “recompensa imediata”
A polêmica também reflete um traço da TV atual: séries enfrentam pressão por entregas rápidas. Depois de semanas alimentando o hype de um duelo, o caminho mais previsível seria mostrar a luta sem cortes. A Knight of the Seven Kingdoms opta pelo oposto e adia a catarse.
No plano autoral, o episódio parece propor uma pergunta: importa mais a coreografia do combate ou a formação do homem que entrou nele? Para parte do público, a resposta será sempre a ação. Para outra parcela, o valor está em aprofundar o personagem, mesmo que isso custe a adrenalina do momento.
Ira Parker apostou que a audiência aceitaria a troca - e admitiu, na prática, que sabia que alguns espectadores sairiam irritados.
O golpe em Baelor Targaryen e o gancho que reacende a tensão
Se o miolo do capítulo provoca discordância, o encerramento tende a concentrar a atenção. Quando parecia que Duncan sobreviveria ao pior no confronto com os Targaryen, a série encerra com um choque rápido: Baelor Targaryen, uma das figuras mais respeitadas do reino, cai após sofrer um ferimento grave na cabeça. Ao removerem o elmo, fica claro para todos que o dano é fatal.
A morte do príncipe aponta para consequências políticas dentro da dinastia Targaryen e deve afetar diretamente os caminhos de Duncan e do jovem Egg, cuja relação vinha se fortalecendo e agora pode ganhar contornos mais sombrios.
A expectativa para o episódio 6 cresce tanto pelo que vem após o duelo quanto pelo impacto desse vazio na sucessão e na memória do reino - uma combinação de drama pessoal com efeitos históricos que sempre foi parte do apelo de Game of Thrones.
Por que flashbacks seguem dividindo o público em séries
O caso do episódio 5 ilustra um dilema comum na televisão: como usar flashbacks sem comprometer a tensão do presente. Em geral, roteiristas pesam três pontos antes de escolher voltar no tempo:
- Quanto o passado altera a leitura do personagem no presente.
- Se a informação não poderia ser comunicada por diálogo ou ação na linha temporal atual.
- O risco de cortar a tensão de uma cena que já está em andamento.
Aqui, a balança pende para o aprofundamento do protagonista, com o custo de reduzir parte do impacto imediato do duelo. Para quem prioriza construção de mundo, a série sai ganhando. Para quem esperou uma semana inteira pelo Julgamento dos Sete, a interrupção pode soar como a câmera desviando exatamente no instante do primeiro choque de lâminas.
Debates semelhantes já apareceram em produções de fantasia como Lost, The Witcher e até House of the Dragon, alimentando discussões sobre quando voltar no tempo ajuda - e quando apenas atrapalha.
No fim, o episódio 5 expõe um atrito típico entre histórias pensadas para maratona e histórias consumidas semanalmente. Quem assistir a temporada inteira de uma vez pode sentir menos o tranco. Já quem aguardou dias pelo duelo provavelmente vai ficar com a impressão de que a série freou no momento em que o combate finalmente começou.
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